Comportamento naturalizado nas redes sociais

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No final do ano passado postei um texto aqui no blog sobre o meu período de desapego das redes sociais. Fiquei um mês sem entrar no Facebook e tive grandes insights. Dali por diante o meu modo de usar as redes começou a mudar. Eu não sentia mais vontade de entrar na maioria das discussões, deixei de seguir uma porção de pessoas e de páginas, saí de vários grupos… Durante algum tempo fui assim, readaptando esse espaço virtual a pessoa que eu era depois daquela experiência. Eu voltei a usar, aos poucos, essa ferramenta como uma usuária mediana, mas com muito mais consciência e uma capacidade muito maior de tornar a rede uma experiência que fosse mais a minha cara e correspondesse aos meus desejos. Leia mais… »

Idealizações como problemas

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Eu evito criar expectativas sobre como as pessoas e a sociedade deveriam ser. Evito porque ninguém, absolutamente ninguém, vai viver pra corresponder aos meus ideais. Percebo a tendência cada vez mais normalizada de eu classificar pessoas pelo tanto que elas se parecem ou não com o meu reflexo no espelho, e isso me assusta.

É normal ter dificuldade pra conviver com a diferença. É aceitável ficar perplexa quando uma pessoa profere um discurso de ódio, como se dissesse algo normal, depois que eu já desnaturalizei tudo isso. O problema começa quando a pessoa é tão boa quando o seu discurso soa aos meus ouvidos. E eu aprecio ouvir a medida que as palavras dela estão mais assemelhadas ao que eu diria.

Se alguém fez uma coisa que eu discordo, portanto, preciso dar um lacre, fazer essa pessoa se calar, mostrar que a razão pertence ao meu lado, a quem é como eu sou. Também é imprescindível repudiar, menosprezar, parar de falar com esse alguém, afinal, afirmar quem eu sou é mais importante do que o encontro genuíno. Leia mais… »

O diálogo da militância dentro e fora de seu contexto

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Sabe quando você tá com suas amigas feministas no bar, olha ao redor e de repente chega um grupo de rapazes héteros e de comportamento padrão? Você acha isso desagradável? Você não diz nada, mas gostaria que eles saíssem dali? É como se aquela presença fosse visualmente opressiva e desconfortável, e você quisesse ficar longe? Hoje, este texto é sobre empatia e tolerância com a diferença.

“Mas como assim? Você vem falar pra mim, feminista, desconstruída, apoiadora dos movimentos de minoria, que posto todo dia algo em favor das minhas causas, ando com amigos incríveis e totalmente militantes, que eu não estou sendo tolerante?”

Ficar entre iguais, tão desconstruídos quanto nós, com o mesmo tipo de pensamento e defesa, é reflexo de uma postura naturalizada de intolerância com a diferença. Não, eu não estou te pedindo para ir fazer amizade com os machistas e racistas que você conhece, mas estou te dizendo que MUITOS daqueles que reproduzem esse pensamento e essa forma de agir no mundo acham que isso é o natural, o correto e o que as pessoas de bem fazem, pois todo o restante é desvio e ameaça a mim ou a minha família. E talvez a sua postura agressiva não facilite o processo de aproximação dessas pessoas a outras formas de raciocínio. Leia mais… »

É lindo ser a gente

 

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Fazia tempo que uma premiação do Oscar não me deixava tão empolgada quanto a estatueta de melhor atriz para Francis Mc Dormand esse ano. Eu havia assistido Três anúncios para um crime na semana anterior e saído do cinema tão impactada com sua atuação que até esqueci que a Meryl Streep concorria na mesma categoria.

E sobre o discurso dela então, nem se fala :Francis foi sincera, cheia de energia, chamou as mulheres indicadas para se levantarem, colocou a estatueta no chão para ter uma perspectiva melhor. Um momento para ficar na história da cerimônia e apagar a opinião desnecessária do crítico, que na falta de algo melhor a dizer, citou a aparência de Francis como se fosse algo decisivo para a profissional fantástica que ela é. Leia mais… »

O que você precisa saber sobre a friendzone

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Com certeza você já ouviu, pelo menos uma vez na sua vida, algum cara reclamando porque uma mulher o rejeitou, ou fez isso com algum outro cara. Muitas vezes, na mentalidade dele, aquele cara era bom demais pra ser rejeitado. Outras vezes, ele se sente menosprezado porque ele teoricamente só serve para ser amigo, e para namorado a menina escolhe outro cara, que geralmente ele vê alguma qualidade masculina (força, beleza, posses) que ele não tem.

Dentro dessa questão, muitos sentimentos podem vir à tona e eles não podem ser negados. A inveja do cara que supostamente é mais do que ele, a dor da rejeição, e o sentimento de inferioridade. Além disso, pode vir a passar por um sentimento de que ‘não é homem o bastante, e por isso não é suficientemente desejável’.

Isso pode fazer com que ele deseje se aproximar de um modelo de masculinidade, que ele já conhece bem desde o começo da sua vida: ser competitivo, guerreiro, não chorar, não demonstrar emoções, ser o provedor para sua família, possuir riquezas e bens materiais. A complexidade e a naturalidade dessas exigências para os meninos desde sua mais tenra idade produzem uma imagem do que é ser homem de verdade, que passa por variações para cada indivíduo que compõe a sociedade, o que não reduz de nenhuma forma a realidade cultural que permeia todas essas impressões. Leia mais… »