Quando conheci a minha avó

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Fui uma adolescente chata: gritava por qualquer coisa com a minha mãe, não entendia seus posicionamentos, achava que ela não me dava a liberdade que minhas amigas tinham porque era uma mãe mais velha e careta que a delas. E tinha na ponta da língua a grande responsável pelos nossos embates diários:

Minha avó.

Desde pequena, eu tentava amarrar alguns fios soltos no passado da minha mãe. Meu avô era maravilhoso, mas eu sentia falta de saber mais sobre minha avó, além do seu nome.  Passei anos sem ter ideia de como era seu rosto. Maior, comecei a responsabiliza-la pela falta de compreensão da minha mãe comigo, porque elas não conviveram enquanto ela era viva.

Eu era tão infantil. Leia mais… »

Reconhecimento

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Sete e meia da manhã. Acordo, vou ao espelho e percebo as rugas emoldurando suavemente o meu rosto, nos olhos, lábios, testa e pescoço. Suspendo a pele com a ponta dos dedos, constatando o efeito do tempo, mais forte que os cremes anti-idade, tentando imaginar como eu seria se aquelas rugas não existissem.

Provavelmente, eu não seria quem sou. Os vincos discretos que desenham minha pele são as marcas de trinta e quatro anos de batalhas, vivências, dores, amor, aprendizado e resistência. Há algum tempo, observar meu rosto envelhecido era motivo para me entristecer. Em dias ruins, é motivo para me fazer sentir saudades dos vinte anos, da pele firme, da ausência de linhas de expressão – mas não da solidão e da sensação de estar constantemente perdida, que me acompanhavam diariamente.

Observo a pessoa que sorri para mim, a imagem pendurada na parede do banheiro como uma irmã gêmea que me entende, me abraça e sussurra somos vitoriosas. Porque existir nesse mundo sem adquirir marcas, calos, cicatrizes e um oceano de lembranças estampadas na pele é impossível, e se estamos de pé, o resto não importa muito. Leia mais… »