Zine Mil Palavras – Dezembro de 2017

No dia 1/12, a artista e escritora Gisela Zaffalon Bobato me convidou para participar do Sarau e Exposição O Universo Feminino, aqui em São José dos Campos. No evento, ela expôs suas maravilhosas ilustrações e nosso sarau foi um momento muito emocionante.

Para poder divulgar meus textos e canalizar a ansiedade que tomou conta de mim, criei a primeira edição do zine Mil Palavras, uma versão miniatura dos pensamentos que povoam minha mente. Impresso em folha A4 frente e verso, o zine tem um formato parecido com um folhetinho. Nessa edição, incluí apenas textos meus, mas nas próximas pretendo convidar escritoras e ilustradoras da região.

A partir do ano que vem, as edições serão publicadas no meu site Mil Palavras por Dia, no meu perfil no Medium e aqui no Café das Minervas.

Espero que curtam!

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Três ponto cinco

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Me sinto obsoleta. Daqui a dez dias completo trinta e cinco anos de vida, dando início ao meu trigésimo sexto ano aqui na Terra. A sensação que tenho é a de ter sido ultrapassada nessa maratona que é viver.

Nasci na época da transição entre o analógico e o digital e posso garantir: sei exatamente o que as tecnologias antigas sentiram ao serem substituídas. Ok, objetos não sentem nada, mas vocês me entenderam.

Eu não deveria me sentir assim. Pelo que dizem as revistas, essa é a melhor idade para ser mulher. Já me formei na faculdade e garanti meu lugar no mundo profissional.  Já me casei e posso usar o prazo de validade do útero como um bom argumento para corroborar a decisão de não querer ter filhos. Leia mais… »

O peso que a gente carrega

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Nascemos para ser uma criança vestida de rosa, sapatos com glitter, pulseiras de plástico nos braços, uma Barbie nas mãos. No rosto nos pedem para colocar o sorriso de criança mais bonita da festa e no corpo o comportamento de uma mocinha educada.

Crescemos adolescentes ensinadas a baixar o tom de voz, a não “ criar fama”, a usar shorts compridos, a controlar a mão de meninos desrespeitosos. Temos medo de reclamar do namorado violento, do assédio na rua, para que não perguntem o que fizemos para provocar. Nos empurram para uma confusão entre autoestima e competição sem se importarem com amizades destruídas e reputações arruinadas, afinal “meninas são crianças em corpo de mulher”.

Viramos adultas assistindo celebridades com corpos e rostos impossíveis, gastando dinheiro com cosméticos que prometem muito e não entregam nada. Encolhemos nossas ambições para não assustarmos os homens e ganhamos em troca rótulos cansativos para nossas atitudes:

“Isso é coisa de mulher”.

Não, meus queridos, às vezes é coisa de ser humano mesmo.

Somos feitas para agradar. Leia mais… »

Nem bonecas, nem de papel

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O valor que a sociedade atribui à mulher costuma estar intimamente ligado ao seu corpo. Um receptáculo imaculado e puro, uma obra de arte para ser possuída e ostentada. Sua castidade é uma bandeira, um troféu que os homens desejam levar para casa.

Afinal de contas, a mulher deve ser bela, enquadrar-se nos padrões de comportamento, ter uma forma agradável, um porte elegante. Ser polida e lustrosa e imóvel como um troféu. Deve preservar sua castidade a todo custo, entregando-a apenas a alguém que mereça, que conquiste arduamente este “prêmio”, derrotando gigantes, matando dragões, bruxas e quebrando maldições. Como um príncipe encantado, que só existe como um vulto distante.

E, se ela não oferece de bom grado este tesouro, este mistério, então um homem pode roubá-lo para si. Porque nada mais naquele corpo vazio importa quando levam dele o que há de mais sagrado.

Que coisa mais horrível de se impor a alguém.

Quando uma mulher é violentada, não se fala sobre o corpo marcado, sobre as feridas e sobre a culpa de ter sido invadida, mas sim sobre o valor que se perdeu. Como se fosse um objeto usado e sem viço, uma flor murcha, um cristal que perdeu o brilho.

Que maneira mais desumana de tratar o sofrimento alheio. Leia mais… »

Diga para outra mulher o quanto ela é incrível

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Hoje eu decidi que faria algo de diferente nesse Dia Internacional da Mulher : falaria para todas as mulheres incríveis que tiveram alguma alguma influência na minha vida o quanto eu as admirava. O quanto elas foram – e ainda são – importantes para mim e como isso me moldou como a mulher que sou hoje em dia. Passei o horário de almoço mandando mensagens para parentes, amigas e parceiras de trabalho. Levei um bom tempo, mas ao final da última tive uma incrível sensação de estar com a alma muito leve e com o coração muito mais feliz.

Feliz por ter dito nesse dia o quanto que elas podiam fazer a diferença na vida de uma pessoa. O quanto elas eram maravilhosas e mereciam ouvir isso. O quão poderosas elas eram e como eram fonte de inspiração e um ponto de apoio para uma outra mulher. Fui piegas, algo que geralmente vai contra a minha natureza, mas fiquei satisfeita por conseguir expressar o quão especiais elas eram para mim.

Nesse 8 de março, além de dar os parabéns para as mulheres especiais da sua vida, diga também o quanto que elas são importantes e extraordinárias para você. Fortaleça esse laço. Pratique esse gesto de amor e sororidade.

Texto por Laís Sauerbronn