Corpo é arte, corpo é festa

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Na última edição do meu zine Mil Palavras abordei a questão do corpo, da pressão estética e da opressão – temas que, a meu ver, são urgentes e precisam continuar em pauta. Separei alguns dos textos para compartilhar com as leitoras e leitores aqui do Café das Minervas, pois acho que é sempre importante refletirmos sobre nossos corpos e a relação que nutrimos com eles.

Espera-se que a mulher seja sempre bela e perfeita, ou que, pelo menos, esteja em busca de um corpo belo e agradável aos olhos, sempre pronto para o consumo. Nesse processo de tentar caber nos moldes pré-definidos, de tentar atender às demandas dos outros, será que estamos olhando para o nosso corpo com carinho e cuidado, ou apenas buscando um ideal que nos fere e oprime? E, o mais importante: será que estamos desfrutando na vida dentro dos nossos corpos, ou que estamos nos privando de viver em função do que a sociedade nos impõe?

Devemos nos amar, acima de tudo, acima de qualquer imposição, julgamento ou preconceito. Nosso corpo é nossa casa, é nossa forma de existir. Que possamos experimentar essa existência com prazer e alegria!

 

Quanto de você cabe no mundo?

Corpo é morada, e não prisão.

Amor próprio é reconhecer o tamanho dessa casa, com suas características únicas, e sentir-se confortável dentro dela. Sem ressalvas.

 

Tamanho GG

Quando descobri que sou asa, vento, ar

desisti de tentar me encaixar nas gaiolas dos padrões

Sangro no espalho para poder existir, me imponho com todo meu tamanho

– Não vão me diminuir.

Sou gigante, perene, abraço o universo com os ouvidos tampados para o ruído que grita meu nome como se fosse uma ofensa.

– Não vou diminuir.

 

Carne estragada

Açougueiros, em roupas maculadas de vermelho, proferem palavras torpes, reproduzidas em uníssono pelos homens mundo afora.

“Mulher que não cria vida é carne inútil, de segunda, serve apenas para matar a fome. Mulher que não se deixa consumir é pior ainda, é carne de entranha, mal serve para farofa”.

– E a mulher que sabe o valor da própria carne? Que se recusa a ser fatiada em bifes para o deleite de terceiros?

“Ah, mulher assim é mercadoria estragada. Melhor nem experimentar”.

 

Perfeição

Corpo bonito é aquele que ama, sorri, é autêntico e generoso. Que transparece a essência. Que existe sem culpa.

Corpo perfeito é aquele que respira, digere, pulsa, transforma, cria e regenera.

Existir em carne e osso já é sinônimo de perfeição.

 

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Texto por Mariana Zambon Braga

Mari Zambon

Nascida no litoral, habitante do interior. Tradutora formada em Letras pela Universidade de São Paulo. Acredita no poder de criar universos inteiros apenas com palavras. Escritora por vocação e realizadora por necessidade. Já traduziu muitos livros, mas ainda não escreveu nenhum.

Página do Facebook : Mariana Zambon Braga

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