Indicação de Livro: Mulheres que Correm com os Lobos

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Clarissa Pinkola Estés é, digamos, uma mulher a frente de seu tempo. Ou para além dos tempos patriarcais. Criada entre as florestas, cresceu escutando mitos e histórias antigas. Psicanalista junguiana, feminista, escritora de uma série de livros sobre o sagrado feminino e os mistérios da mulher.

Um deles é o livro Mulheres que Correm com os Lobos, que se tornou conhecido nos últimos anos, junto a ascensão do movimento do sagrado feminino – e por que não dizer, junto com o despertar das mulheres para suas causas sociais? Ou para os processos de autoconhecimento e despertar? O fato é que esse livro aborda todas essas questões.

Não é piração e nem conversa de essencialismo. É um livro que fala basicamente do arquétipo da mulher selvagem, um arquétipo do qual todos os outros arquétipos da verdade feminina vieram e tomaram vida. Sim, isso significa que todas as verdades manifestadas nas mulheres – a guerreira, a mãe, a mãe negra, a morte, a mulher sábia, a bruxa, a mãe terra, a senhora do sexo ou da beleza – são basicamente a mulher selvagem.

E quem seria essa mulher selvagem? A mulher selvagem é aquele que sabe exatamente o que quer e o que precisa. Também é aquela que sabe manifestar plenamente sua verdade, e a que sabe ser quem precisa em cada momento e contexto da vida. É a vozinha que sabe pra onde você deve ir, e também é a coragem que te faz ultrapassar os obstáculos e chegar até lá. É aquela parte da sua alma, da sua mente, do seu coração, que te faz querer gritar para o mundo, manifestar sua verdade. É aquela que não sabe e não quer saber ser nada além dela mesma. Pulsão de vida, instinto, impulso, id, intuição. Lunática, feroz, dançarina, guerreira, águia, foca, leoa, loba e mulher.

Nem se eu quisesse poderia descrever em poucas palavras a dimensão do que é a mulher selvagem e do quão maravilhoso foi poder conhecê-la em minha vida. Sou extremamente suspeita pra falar desse livro, afinal já o li seis vezes – e já estou cogitando a sétima. Foi através dele que eu entendi o que é um feminino sagrado, que meus horizontes sobre o que é ser mulher foram infinitamente ampliados e que minha visão espiritual começou a entender a dimensão feminina dessa religiosidade. A religiosidade das deusas, da mãe natureza e do fôlego de vida de todas as criaturas.

Com sensibilidade e riqueza de conteúdo em perfeito equilíbrio, a autora fala de temas que permeiam o mundo da mulher contemporânea à luz dos ensinamentos dessa mulher selvática: desde rejeições que a mulher pode sofrer dentro do sistema, a orientações que a mulher precisa receber na busca pela construção e compreensão da sua verdade interior, perpassando por temas como a sombra, relacionamentos amorosos, a relação com o corpo e o poder que a mulher tem dentro dos ciclos de vida-morte-vida, ligação direta que a mulher recebe com a terra.

Se ler essas palavras ou ouvir falar desse livro instiga os seus sentidos ou faz seu coração vibrar, dê o primeiro passo em direção a essa mulher loba enquanto se delicia com as páginas dessa obra. Não é livro pra ser lido ou decorado, sequer um manual de instruções. Ao contrário, os mitos e as palavras conversam diretamente com a alma e com o poder que as mulheres guardam dentro de si. Entregue-se, permita ouvir a voz serena e firme com que a sua intuição grita dentro de você. Se deixe conhecer e se abra para aprender com todas as experiências que pode viver com essa mulher que corre com os lobos. E corra em direção às verdades que sua essência tem a te revelar!

*Palavras como intuição e essência nesse texto não devem ser compreendidas como uma visão normatizadora ou determinante sobre o que uma mulher deve ser ou não, ou algo que as mulheres guardam a priori dentro de si. A verdade de cada mulher é única, e essa é a beleza e a graça de se encontrar com a verdade que você construiu sobre a vida, sobre os outros e sobre si mesma – e quem sabe, ter a chance de refazer tudo como seu coração diz que deve ser.

 

Texto por Erika Hoth

E29178183_551193038599553_5961380852700020736_nrika Hoth é estudante de psicologia pela universidade federal fluminense. Nas horas vagas é escritora, rata de livros, dançarina e cartomante, realizando consultas online e divulgando conteúdo na página Coruja Escarlate. Bem humorada e comunicativa, ama conversas longas, explorar diferentes saberes e apreciar a beleza da vida.

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