Mulheres possíveis – as verdadeiras heroínas

mike-wilson-195741

O tema da representatividade está em voga. E não é à toa – de fato, precisamos de mais mulheres e de mais diversidade na ficção e nos meios de comunicação. Principalmente nas histórias e nos conteúdos voltados para crianças e jovens.

A representatividade é essencial para mostrar que nós mulheres somos incríveis e capazes de obter grandes conquistas. É urgente que sejamos retratadas como muito mais do que meras princesas ou donzelas em busca de um príncipe.

Saindo do universo dos contos de fadas, estamos ganhando espaço em narrativas que antes eram consideradas como masculinas. Isso é muito saudável, pois o mundo está acostumado a associar o heroísmo ao homem, e sabemos que isso não passa de um equívoco.

O nosso imaginário necessita de arquétipos, semelhantes aos das heroínas como a Mulher Maravilha, para que possamos construir a figura mítica da pessoa que inconscientemente desejamos nos tornar. Através destas heroínas, vivemos nossas fantasias infantis e adolescentes. Elas são tudo o que gostaríamos de ser.

Mas, que tal olhar para a sua mãe? Aquela mulher de carne e osso, que acorda cedinho, cuida da casa, de você, da família, que enfrenta gigantes, terremotos e vilões de verdade para poder sobreviver diariamente.

Ou então sua avó – que provavelmente teve que lidar com preconceitos, que teve sua liberdade cerceada pelo machismo da época em que viveu, que dedicou a vida toda ao lar – ou então que desafiou todos esses estereótipos e papéis de gênero e foi pioneira e revolucionária.

Caso você não tenha um bom referencial familiar, que tal olhar as mulheres maravilhosas que fazem parte da sua convivência? Com certeza você tem uma professora, amiga, colega de trabalho que admira e que tem como exemplo de mulher que você gostaria de seguir.

Embora seja saudável buscar espelhar-se nas personagens fortes da ficção, é muito mais plausível seguir os passos de mulheres possíveis. A página As Minas na História é um excelente lugar para encontrar referências de mulheres que foram e são incríveis no mundo real. Além disso, o site da Think Olga publica anualmente uma lista de mulheres inspiradoras que se destacam em diversas áreas profissionais e artísticas.

O ponto positivo de buscar referências da vida real é que isto nos ajuda a ter mais empatia. Quando olhamos para nossas semelhantes com respeito e admiração, enxergamos que a sororidade é uma possibilidade viável, e não uma utopia. Além disso, fica mais fácil eliminar a competição entre nós – se criamos uma rede de estima e apreço, concorrer umas com as outras perde totalmente o sentido.

Não deveríamos ter que recorrer a referências fictícias para nos inspirar. Convenhamos: deve ser muito legal ser a Mulher Maravilha, mas é um arquétipo impossível de alcançar. Podemos nos espelhar nas características positivas que as heroínas nos transmitem, é claro – sobretudo no que diz respeito ao empoderamento.

Mas não há melhor inspiração do que ver o sucesso de uma mulher de carne e osso, real e possível. O maior incentivo que podemos ter é olhar para as mulheres que nos cercam e mostram que, embora a vida seja difícil, embora sejamos oprimidas e sabotadas pelo patriarcado, é possível prosperar. É possível superar traumas, sofrimentos, abusos e silenciamento e, ainda assim, fazer história.

 

Texto por Mariana Zambon Braga

Mari Zambon

 

Nascida no litoral, habitante do interior. Tradutora formada em Letras pela Universidade de São Paulo. Acredita no poder de criar universos inteiros apenas com palavras. Escritora por vocação e realizadora por necessidade. Já traduziu muitos livros, mas ainda não escreveu nenhum.

Página do Facebook : Mariana Zambon Braga

 

Fonte da Imagem : Unsplash

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *