Comportamento naturalizado nas redes sociais

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No final do ano passado postei um texto aqui no blog sobre o meu período de desapego das redes sociais. Fiquei um mês sem entrar no Facebook e tive grandes insights. Dali por diante o meu modo de usar as redes começou a mudar. Eu não sentia mais vontade de entrar na maioria das discussões, deixei de seguir uma porção de pessoas e de páginas, saí de vários grupos… Durante algum tempo fui assim, readaptando esse espaço virtual a pessoa que eu era depois daquela experiência. Eu voltei a usar, aos poucos, essa ferramenta como uma usuária mediana, mas com muito mais consciência e uma capacidade muito maior de tornar a rede uma experiência que fosse mais a minha cara e correspondesse aos meus desejos. Leia mais… »

Idealizações como problemas

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Eu evito criar expectativas sobre como as pessoas e a sociedade deveriam ser. Evito porque ninguém, absolutamente ninguém, vai viver pra corresponder aos meus ideais. Percebo a tendência cada vez mais normalizada de eu classificar pessoas pelo tanto que elas se parecem ou não com o meu reflexo no espelho, e isso me assusta.

É normal ter dificuldade pra conviver com a diferença. É aceitável ficar perplexa quando uma pessoa profere um discurso de ódio, como se dissesse algo normal, depois que eu já desnaturalizei tudo isso. O problema começa quando a pessoa é tão boa quando o seu discurso soa aos meus ouvidos. E eu aprecio ouvir a medida que as palavras dela estão mais assemelhadas ao que eu diria.

Se alguém fez uma coisa que eu discordo, portanto, preciso dar um lacre, fazer essa pessoa se calar, mostrar que a razão pertence ao meu lado, a quem é como eu sou. Também é imprescindível repudiar, menosprezar, parar de falar com esse alguém, afinal, afirmar quem eu sou é mais importante do que o encontro genuíno. Leia mais… »

Nos deixem em paz

Machismo não é piada

 

Ser mulher é minha ótica. É como eu vejo o mundo. É quem eu sou e o que eu sou. São as mulheres que me inspiram, são elas que me influenciam. Eu sou composta por muitas mulheres.

É por isso que os feminicídios mexem tanto com meus sentidos. É por isso que o assédio é mais dolorido quando eu escuto.

É por isso que a vulnerabilidade da mulher é tão notável diante dos meus olhos.

Eu vejo o mundo dentro do corpo de uma mulher. E isso não tem como mudar.

Quando um grupo de brasileiros, representando minha nacionalidade, sai do meu país (que apesar dos pesares, tenho tanto orgulho) para atacar agressivamente mulheres em outro país, isso me corrói por dentro. Leia mais… »

O corpo gordo precisa ser visto

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Ao longo dessa semana, uma pergunta sem resposta me assombrou noite e dia:

Por que não encontramos fotos belas e bem produzidas de pessoas gordas em bancos de imagens (principalmente de mulheres)?

Estava trabalhando na nova edição do meu zine Mil Palavras, cujo tema será “corpo”. A proposta é suscitar reflexões sobre nossa relação com o corpo em que vivemos, sobre visibilidade, amor próprio, enfim, essas questões que nos incomodam tanto e que têm fortes impactos na vida das mulheres.

Como sou uma mulher gorda, quis retratar isso nas artes do zine, com colagens digitais de textos sobre silhuetas de corpos de vários tamanhos. No meio do processo de criação, decidi que iria apenas usar silhuetas e perfis de mulheres gordas – afinal, já temos bastante representação de corpos magros na mídia e nas artes, em geral. Nada mais justo do que usar a minha arte para dar espaço aos corpos semelhantes aos meus. Leia mais… »