Precisamos ocupar ainda mais os espaços políticos

No dia 24 de fevereiro, comemoramos o dia da conquista do voto feminino no Brasil. Este direito foi assegurado às mulheres pelo Decreto 21.076, de 24/02/1932, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. Em 1934, o voto feminino deixou de ter restrições dentro do Código Eleitoral, e em 1946 a obrigatoriedade do voto foi estendida às mulheres.

carlota (2)A Líder feminista Bertha Lutz foi companheira de bancada da primeira mulher a votar e a ser votada em nosso paísCarlota Pereira de Queirós. Eleita deputada federal em 1935, Carlota foi a primeira voz feminina a ser ouvida no Congresso. Bertha chegou ao Parlamento um ano depois.

No discurso feito no dia de sua posse, na Câmara dos Deputados, Bertha retratou uma realidade que, quase um século depois, ainda é bastante atual.

“A mulher é metade da população, a metade menos favorecida. Seu labor no lar é incessante e anônimo; seu trabalho profissional é pobremente remunerado, e as mais das vezes o seu talento é frustrado, quanto às oportunidades de desenvolvimento e expansão. É justo, pois, que nomes femininos sejam incluídos nas cédulas dos partidos e sejam sufragados pelo voto popular”.

Hoje, votar é algo que nos parece corriqueiro, ou um dever cívico maçante e sem sentido (principalmente após alguns acontecimentos recentes que nos levam a crer que nosso voto não vale para muita coisa). No entanto, a participação da mulher na política foi um direito conquistado a duras penas. Não só aqui no Brasil, como no mundo todo.

Em alguns países, as mulheres ainda não têm permissão de participar das eleições como candidatas nem como eleitoras. Na Arábia Saudita, por exemplo, foi só a partir de 2015, através de um decreto do Rei Abdullah, que as mulheres puderam começar a votar e se candidatar em eleições locais para o conselho que supervisiona o legislativo das regiões do país.voto-mulheres-600x400 (1)

Aqui no Brasil, já faz um bom tempo que conquistamos o direito de participar da vida política como eleitoras e candidatas. O movimento feminista nos garantiu muitos direitos e estamos constantemente conquistando espaços antes considerados reservados aos homens. Porém, os nossos avanços na política não se equiparam às nossas conquistas sociais. Continuamos em menor número nos cargos políticos. Embora representemos 7 milhões a mais de votos, ainda não temos uma representação proporcional a esse número no Parlamento.

Uma estimativa do IBGE, realizada em 2014, calcula que serão necessários cerca de 250 anos para que a Câmara dos Deputados, por exemplo, seja ocupada por um número igual de homens e mulheres. Isto provavelmente se deve ao fato de que nosso engajamento na política é algo bastante recente. Temos séculos de desvantagem contra nós.

E é justamente por isso que precisamos discutir política. Participar da política. Apoiar mulheres que estão na luta pelos nossos direitos, principalmente nas esferas que mais afetam nossa realidade social. De nada adianta a nossa luta nas ruas e em coletivos e comunidades se as políticas públicas não nos representam.

Sabemos que nosso sistema político é falho. Que, como mulheres, em quase todas as situações da vida, temos que gritar muito mais alto para que nossa voz seja ouvida. Isso pode

ser cansativo e nos fazer desistir no meio do caminho. Contudo, este é um dos principais motivos pelos quais precisamos participar de forma ativa da política do nosso país – para que sejamos representadas por aquelas que compreendem as nossas lutas e dificuldades. Para que a nossa voz possa ecoar bem alto e gerar mudanças.
Seja através do voto consciente, elegendo cada vez mais mulheres e candidatas com pautas feministas, ou participando de movimentos sociais e políticos, a nossa presença é urgente.
Quanto mais mulheres nos representarem, mais teremos chance de viver em um mundo mais igualitário.

Conheça mais sobre a história da luta das mulheres pelo voto no vídeo abaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=pO_IMruV-hU

Para saber mais:

http://www.dedihc.pr.gov.br/arquivos/File/ConquistaVotoFemininoBrasil.pdf

http://jornalggn.com.br/noticia/a-conquista-do-voto-feminino-em-1932

http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/03/08/lugar-de-mulher-tambem-e-na-politica

http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2013/Abril/serie-inclusao-a-conquista-do-voto-feminino-no-brasil

 

Texto por  Mariana Zambon Braga

Mari Zambon 

 

Nascida no litoral, habitante do interior. Tradutora formada em Letras pela Universidade de São Paulo. Acredita no poder de criar universos inteiros apenas com palavras. Escritora por vocação e realizadora por necessidade. Já traduziu muitos livros, mas ainda não escreveu nenhum.

Página do Facebook : Mariana Zambon Braga 

 

Imagem : 1) “Carlota Pereira de Queiroz assinando a Constituição de 1934″.

2) “Primeiro voto feminino, 1932.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *