A estética que adoece

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O padrão estético imposto socialmente às mulheres é algo cruel, quanto a isso não há dúvidas. Somos bombardeadas por estímulos visuais e auditivos que buscam nos convencer de que precisamos de algo para sermos felizes, e geralmente, esse algo se trata de algum cosmético, medicamento ou alimento que visa “melhorar” nossa aparência.

Pois nossa aparência nunca está boa, nunca estará boa. Então, precisamos correr atrás de uma mudança, mesmo que isso mate-nos no processo. Estaremos nos sujeitando à dietas mirabolantes, medicamentos “naturais” emagrecedores, cirurgias plásticas, e outras formas de sofrimento e dor em busca daquele padrão que, no fundo, sabemos que não podemos alcançar.

E com isso, conforme seguimos em nossa busca infindável, nossa saúde mental vai adoecendo mais rápido que nosso corpo privado de comida e qualquer prazer culposo. Mesmo que muitas de nós saibamos disso, ainda assim, com toda a informação da qual dispomos, muitas vezes nos vemos dentro desse ciclo vicioso. Leia mais… »

Meu caso de amor comigo

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Já faz algum tempo que estou tentando encontrar um modo de introdução desse tema, mas acho que o melhor é ser direta e assertiva com você, leitora: O quanto você é capaz de amar a si mesma?

Eu comecei a me deparar com essas questões já a alguns dias. Quem me acompanha aqui no blog sabe que eu sou uma incentivadora da busca das mulheres por si mesmas, uma guardiã e facilitadora do sagrado feminino. Mas eu só faço tudo isso por acreditar que nós nos curamos quando nos comunicamos umas com as outras, quando dizemos umas para as outras a verdade dos nossos corações, e a realidade é que eu aprendi ainda muito pouco sobre isso.

Eu não acredito que pessoas que se amem sejam pessoas que estão sempre bem consigo mesmas, ou sempre de boa com a vida. Já consegui me abrir para acreditar em energias, em arquétipos e até em divindades, mas ainda não consigo acreditar na perfeição. Mesmo assim, o perfeccionismo é uma sombra que me acompanha de dia e de noite. E como em toda jornada de buscadores – esse é um nome carinhoso usado para falar daquelas pessoas que estão sempre se aprimorando – você cedo ou tarde tem que deparar com as questões que você foge. Leia mais… »

Cara limpa

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Não costumo sair de casa sem batom. Embora meu estojo de maquiagens esteja criando teias de aranha – rímel, sombras, delineador, todos esquecidos no fundo do armário – a cor nos lábios é quase um imperativo. Uma obrigação de cuidado comigo, de causar impacto, marcar presença. Compromisso firmado de nunca sair de casa sem ele. Ou eles, já que em cada bolsa carrego uns quatro ou cinco. Uma coleção de guarda-chuvas contra a cara abatida e os olhares de nossa, você está tão cansada ou que foi? está doente?. Porque, no imaginário de quem nos analisa, sem maquiagem também significa alguma maquiagem. Uma base leve, um batom rosado “cor de boca”, rímel transparente, lápis branco, blush clarinho. Colocando produtos para parecer que está com a cara limpa.

Acho que só vejo meu rosto totalmente limpo quando acordo. Acostumei tanto com ele fantasiado de vermelho, lilás ou cor de vinho – e, ocasionalmente, preto – que quase não me reconheço ao ver a cor natural dos lábios refletida no espelho. O reflexo, nestes casos, é semelhante a uma antiga fotografia em preto e branco, com a iluminação estourada, um fantasma com baixo contraste. Leia mais… »

Sobre minha infância gorda

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Olhem essa foto. Sou eu, oito anos de idade, no salão. Me arrumando para ser porta aliança da minha tia. Toda feliz, me achando bonita. Só existe um pequeno detalhe: minha blusinha laranja. Essa blusinha que estou vestindo não era minha, era de da minha mãe ou tia, eu não lembro… Eu só lembro que essa blusa deixava toda a minha barriguinha de fora. Logo eu, uma criança gorda, de barriguinha de fora. Quase um tapa na cara de todo mundo.

Quase um tapa porque na escola eu sempre fui deslocada. Tinha os meus amiguinhos, mas não era considerada bonita ou popular. Eu sei que muita gente vai ficar assustada de saber que existe isso numa escola com crianças de sete anos, mas existe mesmo. Existe bullying, existe exclusão. Crianças de seis ou sete anos menosprezam outras crianças por serem diferentes. Porque elas não são como o papai e a mamãe falou que é bonito ser. Leia mais… »

Sou gorda, resisto

“Como ousas, mulher, sair da gaiola em que te colocamos? Quem te deu permissão para se achar bonita, quando o mundo todo grita o contrário?

Como ousas ocupar um espaço que não te pertence, ou mais espaço do que reservamos para você? Como ousas amar seu próprio corpo sem limites?”

São essas as vozes que latejam nos meus ouvidos diariamente. Elas gritam quando olho no espelho, quando visto a minha melhor roupa e gosto do que o reflexo me mostra. Quando a autoestima está em seu auge, sempre tem alguma coisa querendo me tirar desse estado de amor incondicional por mim.

Eu me considero uma pessoa relativamente de bem com meu próprio corpo. Digo relativamente, porque é um exercício árduo e desgastante ter que dizer para mim mesma as seguintes frases: Leia mais… »