O que estamos passando para as nossas crianças ?

racismo bonecas

Decepcionada, porém não surpresa. Essa frase me veio à mente quando em uma atividade de um curso online sobre racismo assisti vídeos sobre o teste da boneca onde se colocam duas bonecas, uma branca e uma negra, diante de crianças – principalmente, crianças negras – e faz-se uma série de perguntas no estilo “qual boneca é mais bonita? ”, “qual boneca você acha que é mais inteligente? ”, “qual boneca é a mais burra?”, entre outras.

Não comum, as crianças tanto brancas quanto negras, escolhem as bonecas brancas para responder às perguntas com características positivas e as bonecas negras para responder às perguntas negativas. Poucas foram as crianças que não souberam responder, pois não baseavam aquelas características pela cor da pele, mas sua grande maioria o fazia, e não hesitava.

Quando apresentadas as respostas aos pais, eles demonstram surpresa e espanto diante do racismo revelado nas respostas inocentes de suas crianças, sempre repetindo que aquilo não foi o que eles ensinaram. Leia mais… »

Foi porque você não quis

 

o que vc já deixou de fazer (2)

Há alguns dias fui marcada por uma familiar em uma postagem do Facebook que consistia na imagem exibindo a seguinte pergunta: “O que você já deixou de fazer por ser mulher?”.

Interessantemente, a postagem foi voltada apenas para as mulheres de nossa família, que não são familiarizadas ou simpatizantes com a luta feminista, entretanto, todas as mulheres que responderam tinham pelo menos uma coisa a qual já tinham deixado de fazer por serem mulheres.

Muitas coisas poderiam ser classificadas como simples e não restritas à um gênero específico, como por exemplo, gritar, correr, jogar futebol e brincar com bolinhas de gude (e isso eu deixo de fora o mais citado, que por construções sociais é tido como algo permitido apenas para homens: andar sem camiseta). Mas ainda assim, quando se pensa no caso não é tão estranho pensar em pelo menos uma pessoa – ou talvez até a si própria – que já passou por isso, de ser privada de fazer algo ou que se privou por pensar ser coisa de menino e, logo, ficaria malvisto ao ser feito por uma menina. Leia mais… »

Consciência de si e Consciência de Classe

Essa semana eu comecei a me envolver pelas armadilhas do medo quando começaram a falar da questão da PM. Mais especificamente quando disseram que aconteceria o mesmo na minha cidade. Eu moro num bairro perigoso, e comecei a avaliar com seriedade o quanto eu deveria temer pela minha vida.

Eu desenvolvi o costume de falar com as pessoas sobre o que estou pensando e sentindo com sinceridade e espontaneidade, o que vem me trazendo muitos frutos positivos. As conversas que eu tive sobre o tema e as conclusões que cheguei junto com meus amigos foram uma delas.

De fato, as conversas começaram falando sobre a situação da PM. Começaram com o discurso de que “eu não consigo entender porque as pessoas precisam de uma polícia atrás delas para agir moral e eticamente como consideram certo”. Sim porque todos sabem que roubar e matar dentro da nossa sociedade é considerado sujo, imoral, repugnante, coisa de gente que não tem boa índole. E muitos discursos ficaram por aí mesmo: COMO NÓS PODEMOS FALAR DA CORRUPÇÃO POLÍTICA SE NÓS SOMOS CORRUPTOS E ETC.

Eu estava justamente comprando esse discurso, mas percebi, entre uma conversa e outra, o quanto esse discurso pode ser limitado e perigoso. Veja bem, eu não disse que discordo desse discurso, porque eu não discordo mesmo. A meu ver, nós estamos em períodos de crise moral e ética, em que existe um discurso sobre o que é certo e um estilo de vida que promove justamente o contrário. O discurso é respeitar o próximo, mas no meu trabalho eu sou incentivado a falar de cima pra baixo com quem não tem o meu cargo. O discurso é ajudar quem precisa, mas eu aprendi que se eu só posso dar pra alguém se não faltar nada pra mim. O discurso é de amar e aceitar as diferenças, mas se eu agir diferente do padrão do que uma mulher age eu vou ser vista como rebelde/descontrolada/histérica. Leia mais… »