Consciência de si e Consciência de Classe

Essa semana eu comecei a me envolver pelas armadilhas do medo quando começaram a falar da questão da PM. Mais especificamente quando disseram que aconteceria o mesmo na minha cidade. Eu moro num bairro perigoso, e comecei a avaliar com seriedade o quanto eu deveria temer pela minha vida.

Eu desenvolvi o costume de falar com as pessoas sobre o que estou pensando e sentindo com sinceridade e espontaneidade, o que vem me trazendo muitos frutos positivos. As conversas que eu tive sobre o tema e as conclusões que cheguei junto com meus amigos foram uma delas.

De fato, as conversas começaram falando sobre a situação da PM. Começaram com o discurso de que “eu não consigo entender porque as pessoas precisam de uma polícia atrás delas para agir moral e eticamente como consideram certo”. Sim porque todos sabem que roubar e matar dentro da nossa sociedade é considerado sujo, imoral, repugnante, coisa de gente que não tem boa índole. E muitos discursos ficaram por aí mesmo: COMO NÓS PODEMOS FALAR DA CORRUPÇÃO POLÍTICA SE NÓS SOMOS CORRUPTOS E ETC.

Eu estava justamente comprando esse discurso, mas percebi, entre uma conversa e outra, o quanto esse discurso pode ser limitado e perigoso. Veja bem, eu não disse que discordo desse discurso, porque eu não discordo mesmo. A meu ver, nós estamos em períodos de crise moral e ética, em que existe um discurso sobre o que é certo e um estilo de vida que promove justamente o contrário. O discurso é respeitar o próximo, mas no meu trabalho eu sou incentivado a falar de cima pra baixo com quem não tem o meu cargo. O discurso é ajudar quem precisa, mas eu aprendi que se eu só posso dar pra alguém se não faltar nada pra mim. O discurso é de amar e aceitar as diferenças, mas se eu agir diferente do padrão do que uma mulher age eu vou ser vista como rebelde/descontrolada/histérica. Leia mais… »