Você não é a sua reputação

*Este post pode conter spoilers da série 13 Reasons Why.

Esta semana, terminei de assistir ao seriado 13 Reasons Why que estreou recentemente na Netflix. Embora eu tenha inúmeras ressalvas a respeito de como a série foi conduzida e como os assuntos foram abordados, a maneira como a reputação de Hannah Baker foi destruída reflete bem a realidade. Não só dos jovens da geração atual, como de todas as gerações. Leia mais… »

Do lado delas

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Mexeu com uma, mexeu com todas. Essa é uma frase que encontramos em abundância nas redes sociais, principalmente após a revelação de algum caso de assédio ou violência contra mulheres. Infelizmente, são tantas as notícias desse tipo, que fica até difícil acompanhar tudo. Os mais recentes e comentados, envolvendo o ator José Mayer e o cantor Victor, trouxeram à tona, mais uma vez, campanhas e protestos promovendo a sororidade, a união entre as mulheres no combate ao assédio e a todos os tipos de violência de gênero.

A sororidade é realmente um conceito muito bonito, e todas nós deveríamos trabalhar para agir sempre em defesa das vítimas, em casos como esse. No entanto, não é bem isso o que acontece. Leia mais… »

Feminismo – muito mais que uma moda passageira

Programas de televisão que abordam as pautas de desigualdade de gênero, artistas que se assumem como simpatizantes do movimento feminista, marcas de maquiagem e cosméticos debatendo sobre padrões de beleza e mulheres gordas ou fora dos padrões aparecendo em capas de revista. Pois é, não tem mais volta. O feminismo está na moda.

Literalmente. Marcando presença nas coleções de grandes casas de alta costura, como a Dior, ou nas ruas, principalmente após a Women’sMarch dos EUA, as camisetas com frases de impacto como “The Future is Female” (O futuro é feminino), “We should all be feminists” (Todos nós deveríamos ser feministas) e “Girl Power” (Poder feminino) estão por toda parte. Parece mesmo que todo mundo é feminista. O que seria muito bom.

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Mas não é de hoje que isso acontece, devo acrescentar. Desde o final dos anos 80 e início da década de 90 a mídia vem tentando transformar o movimento feminista em mais uma febre passageira, como se não passasse de uma moda mesmo. Um jeito de se vestir, uma maneira irreverente de pensar. Algo que te tornava cool, uma mulher de atitude. Quem não se lembra das Spice Girls que transformaram o Girl Power no lema de toda uma geração?

Afinal, isso é bom ou ruim? Leia mais… »

Reconhecimento

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Sete e meia da manhã. Acordo, vou ao espelho e percebo as rugas emoldurando suavemente o meu rosto, nos olhos, lábios, testa e pescoço. Suspendo a pele com a ponta dos dedos, constatando o efeito do tempo, mais forte que os cremes anti-idade, tentando imaginar como eu seria se aquelas rugas não existissem.

Provavelmente, eu não seria quem sou. Os vincos discretos que desenham minha pele são as marcas de trinta e quatro anos de batalhas, vivências, dores, amor, aprendizado e resistência. Há algum tempo, observar meu rosto envelhecido era motivo para me entristecer. Em dias ruins, é motivo para me fazer sentir saudades dos vinte anos, da pele firme, da ausência de linhas de expressão – mas não da solidão e da sensação de estar constantemente perdida, que me acompanhavam diariamente.

Observo a pessoa que sorri para mim, a imagem pendurada na parede do banheiro como uma irmã gêmea que me entende, me abraça e sussurra somos vitoriosas. Porque existir nesse mundo sem adquirir marcas, calos, cicatrizes e um oceano de lembranças estampadas na pele é impossível, e se estamos de pé, o resto não importa muito. Leia mais… »

Não quero flores, quero mudanças

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Dia oito de março. Um dia inteiro para lembrar que estamos bem longe de sentir na pele o respeito que tanto buscamos. Que estamos distantes de viver uma realidade na qual mulheres não sejam estupradas a cada 11 minutos. Ou mortas a cada duas horas.

Esses números fazem parte de uma verdade absurda, triste e lamentável que temos que encarar todos os dias. Eu, como mulher, tenho todos os motivos para sentir medo de viver neste mundo, sair na rua, trabalhar, me relacionar com pessoas, especialmente no Brasil, onde a nossa vida vale tão pouco.

Mas, quando recusamos flores no Dia Internacional da Mulher, explicando todos estes motivos, apontando o quão hipócrita é a sociedade que repudia as lutas feministas e exalta a mulher em toda a sua beleza e força em um único dia do ano – bem, eu nem preciso dizer que essa postura não é bem acolhida.

Mulher que reclama (ou contesta ou debate ou quer ser ouvida) é chata demais. É cheia de mimimi. Para de reclamar que está cansada, ué, você não é feminista e forte? Agora aguenta! Para de falar que está com cólica e não está disposta, isso é frescura. Por que você está chorando? Tinha que ser mulher mesmo. Leia mais… »